falta de ar? ou falta de arte?

30 de maio de 2012 § Deixe um comentário

Ontem me perguntaram por que faço o que faço, afinal que escolha é essa, que se distingue da segurança relativa das outras profissões, tanto do ponto de vista dos resultados, da gestão, como no que tange à segurança econômica, etc.

Essa pergunta já me fiz mil e uma vezes. Até que ela mesma, cansada, se retirou.

O que fica, é que, se não tenho arte, me falta o ar.

Só posso constatar que  algo me leva ( assim como o dia se leva à note, a primavera se caminha para o verão), algo me impele a explorar, a indagar e construir sentidos novos, ao lado dos significados que me são dados, ao lado dos conhecimentos confirmados, seguros; ao lado do que já me é familiar. Para esse empreendimento, é preciso que eu busque auxílio nos instrumentos de uma ou de outra linguagem artística, a fim de que aconteça uma transformação, um novo engenho, comigo e com a matéria que tenho à minha volta, sejam palavras, sejam tintas, pedras, fios de seda.

O acontecimento pictórico, ou literário, que resulta dessa aventura (não arbitrária, embora regada a imprevisibilidades), desse caminhar em risco, desse tateio pelas bordas da realidade compartilhada, esse acontecimento pode tanto ser de uma conquista rigorosamente formal, quanto  advinda de uma paixão por um gato, uma espiga de milho, um varal cheio de roupas molhadas, numa ruela do meu bairro, este, o a Vila Madalena.

Nessa medida, seja o produto do meu trabalho mais ou menos reconhecível, ele tem o principal caráter de ser rescém-nascido, te ter sua própria impressão digital, de nunca ter sido visto, ouvido, tocado, aspirado.

Mais do que saber a categoria que se pode dar ao trabalho artistico que faço, importa-me não perder de vista o frescor da criação, o mistério que está para ser configurado (ao invés de desvendado) em sua possível finalização. Isso importa em que todo espaço artístico realizado, para mim seja no poema, seja na pintura, ele extrapola a minha, a sua habitual geografia, ele não é mais da ordem da geografia, ainda que quisesse ter sido um gato na janela da casa da sua tia.

Assim, preocupa-me, em  nada, a questão de eu fazer arte figurativa, abstrata, concreta, po’s-moderna, ou outra categoria que se estiver por diagnosticar na matéria feita vida. O que me importa é a sede humana –essa minha e a do leitor, ou do expectador–, por água fresca. Um poema, uma pintura, são como um oásis, num deserto de significação, naquilo que em mim e no mundo ainda permanece vazio de sentido.

O espaço onde construo um a um, esses novos abrigos, essa nova hospedagem para o espanto dos sentidos, posso chamar de espaço mítico. Donde o conhecimento sensível não pode se ausentar, sob pena de minha alma ser encontrada hora ou outra, asfixiada pelas familiaridades, ainda que meu corpo, dotado de alhgum movimento muscular,  continue a percorrer a geografia dos supermercados, das avenidas, dos portões amigos, da minha sala de estar.

Na pintura, a matéria que mais me atrai é a aquarela, sobre papel, ou sobre o tecido de seda, feita pelo bicho-da-seda. Ela permite criar a fugacidade, o inefável, ainda que material.

Abraços a todos

da Regina Gulla

maio de 2012

Direto de Conversas prováveis, de conteudo isento de comprovação científica até o momento.

I Seeking the Language of Art
by CiberBosque
Something leads me to explore, investigate and build new directions, along with the meanings that are given me, confirmed knowledge of the insurance, than it already is familiar to me. For this project, I must seek the aid of instruments or other artistic language, so that transformation happens, a new device, the matter with me and I have around me, whether words are paints, stones , silk threads.

The event pictorial or literary, that results from this adventure (not arbitrary, though watered unpredictability) of that acminhar at risk, the edges of the shared reality, this event can be an order strictly formal, coming to the abstract, or arising out of a passion for a cat, an ear of corn, a clothesline full of wet clothes in an alley in my neighborhood, Vila Madalena.

To that extent, is the product of my work more or less recognizable, it has the main character to be rescém-born, will have its own fingerprint, it has never been seen, heard, touched, sucked.

More than knowing the category that you can give the artistic work I do, I must not lose sight of the freshness of creation, the mystery that is to be set (instead of stripped) in its possible termination. Does it matter in which all space art done for me is in the poem, paints, it goes beyond my, its usual geography, it is no longer the order of geography, even if I wanted was a cat in the window of the house his aunt.

Thus, nothing worries me, the question I do figurative art, abstract, concrete, po’s-modern, or another category that is undiagnosed in this area made life. What matters to me is the human thirst, and my reader, or viewer, for fresh water. A poem, a painting is like an oasis in a desert of meaning, what me and the world still remains empty of meaning.

The space where you build one by one, these new shelters, this new hosting to the astonishment of the senses, is the mythic space. Hence the sensitive knowledge can not be absent, lest my soul be found dead one time or another, even though my body take me to go the geography of the supermarkets, the avenues, gates of friends, of my being sla.

In painting, the subject that attracts me most, in produce the ineffable, the elusive, is the watercolor on paper or on silk fabric made by the silkworm silk.

Hugs to all

Gulla of Regina

May 2012

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