O Poeta da Cidade, Arte na Vila Madalena, 2012

13 de abril de 2012 § Deixe um comentário

O Poeta da Cidade

O calendário do poeta

está para ser escrito

cada bicada de passarinho

na semente da fruta

é uma digitação

(o computador do poeta é canoro)

O dia do poeta vem em branco

e

se emoldura redondo nos acontecimentos

o poeta vai e desmonta a roda

para entender como os dias caminham

Sonho, mas não parece.
Nem quero que pareça.
É por dentro que eu gosto que aconteça
A minha vida.
Íntima, funda, como um sentimento

De que se tem pudor
Vulcão de exterior
Tão apagado,
Que um pastor
Possa sobre ele apascentar o gado.

Mas os versos, depois,
Frutos do sonho e dessa mesma vida,
É quase à queima-roupa que os atiro
Contra a serenidade de quem passa.
Então, já não sou eu que testemunho
A graça
Da poesia:
É ela, prisioneira,
Que, vendo a porta da prisão aberta,
Como chispa que salta da fogueira
Numa agressiva fúria se liberta.

 

Veja você

Antes ele era pedra de quicar

Hoje é navio, é bote

Antes ele era roupa pra lavar

Hoje é estrela do norte

Antes ele era conta de colar

Hoje é conto de morte

Antes ele era quadro pra enfeitar

Hoje é faca de corte

Era estrada subindo a serra

Hoje é farol, holofote.

le poète est en ville

des Madaleines…

Cadê o poeta que está em mim?

O gato comeu….

O gato comeu?


 

A mão silenciosa

Despedaça o pão

A mão desenlaça o pãp

Cachos aros elos nacos

Ecos de comida

Ecos de alma as pessoas à mesa

(passos)

pedaços de ontem

repartindo o hoje

 

As luzes das cidade
são uma réplica
da geografia do céu.

nós, contidos.
nós, limitados.
nós, desse lado.

distantes
demais

dos enigmas
decalcados no
infinito.

 

As mãos da cidade

Correm nas ancas

bancas de Jornal

Busco a tampa pra panela

O cadarço pro têni

O rodo pro balde

 

Busco a casa pro sem teto

As vogais pro alfabeto

A porta pra chave

 

A máscara pras olheiras

Busco

O livro pra cabeceira

 

Busco o professor para o aluno

Busco a palavra que o toque

 

A música pro silêncio

Busco o silêncio na música

 

Cabelos pro pente

O nada na mente

 

O descanso

O sono

 

          Busco um tempo

       Mais lento

     Longas horas

                                                             

         Busco um espaço

           Mais próximo

              Um encontro

 

O errante e misterioso flâneur teve origem na obra de
Baudelaire

……Quanto ao futuro da flânerie na
p ó s – m o d e rnidade, Fawcett afirma
que, “devido à nossa querida
globalização, o cinturão urbano
está cada vez mais unido;
flâneur tem a possibilidade de
vasculhar todas as cidades possíveis,
internas e externas. A
I n t e rnet já é considerada o sexto
continente do mundo”.

O poeta da cidade não joga papel na rua
ele desenha em papel de bala,
escreve cartas em saquinho de presente
faz nota
fa e sol com papel de chiclete
e com resto da linha de costura da mãe dele
na  partitura do meio fio das calçadas
e nas faixas de pedestres,
(não é besta!), que respeita a qualquer custo

“É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo:

é a única questão. Para não sentirdes o horrível

 fardo do Tempo que rompe os vossos ombros e vos

inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem trégua.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira.

 Mas embriagai-vos.
E se, alguma vez, nos degraus de um palácio,

 sobre a grama verde de um precipício, na solidão

 morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez

 já diminuída ou desaparecida, pergu

ntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,

a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda,

a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas

 são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio,

 responder-vos-ão: ‘É hora de embriagar-vos! Para não

 serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos:

 embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude,

 à vossa maneira’.”
Charles Baudelaire

…Diario do Dia
O dia levantou bem  cedo, faminto de pão com manteiga.

Quando você quer mais do que possui
Você pensa que precisa.
E quando você pensa
Mais do que você quer
Seus pensamentos
Começam a sangrar…

eu imagino assim a morte de pavese:
era um quarto de hotel em turim,
decerto um hotel modesto, de uma ou duas
estrelas, se é que havia estrelas.

uma cama de pau, de verniz estalado,
rangendo de encontros fortuitos, um colchão mole e húmido
com a cova no meio. a do costume.
corria o mês de agosto com sua terra escura

encardindo as cortinas. nada ia explodir
naquele mês de agosto àquela hora da tarde
de luz adocicada. e alguém pusera
três rosas de plástico num solitário verde.
Os passos do homem…
As mãos da cidade
Guiam
Os pássaros perdidos.

Os passos do homem
Seguem
Enquanto as mãos da cidade
Regem
Uma prece.   

Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

   Põe na mesa teu livro de geografia,
É a península a próxima lição?
Barro e água, assim,  mesclados
com os alfaces da tigela
Quer que eu procure a receita?
É mais ou menos assim, veja:
deixa o mar abrir-se na panela,
derrama teu sonho de barro,
e cardumes
de estrelas
e panteras
Um pó de terra, por fim
aquela guardada na memória
de minha Ilha ensolarada
E prova
o dia de hoje, peninsular
Os meteorologistas prometem sol,
na península ibérica todinha, essa
que se estende em nossos dorsos
continentes
Acabei de ver na TV.

É isso aí


Um vendedor de flores


Ensinar seus filhos a escolher seus amores

Enquanto a cidade..

Ressuscita

suscita possibilidades

mesmo quando finge dormir por de baixo de grama e mato enrolado

a mim pedi expedições

luz solar e agua encanada

E o sol, por fim:
“ Somos amigos
para sempre,
eu de você,
você de mim.
Vamos poeta,
cantar,
luzir
no lixo cinza do universo.
Eu verterei o meu sol
e você o seu com seus versos.”

as dans la vraie vie … mais justement c’est pour cela que je l’ aim

cura

nas minhas ensimesmações
desejo te fazer cansado
e sonolento dormir
na areia branca de mim.
para que eu possa,
no manto da noite enluarada,
desvendar seus olhos
em vagalumes e nebulosas.

de madrugada, deitarei folhas
embebidas de orvalho e relva
nas suas feridas mais profundas.
enquanto sonha, do riacho ouvirá
o sibilar baixinho dos grilos e rãs trazendo infância.

de manhã, o corpo descamado e novo
nos beijos de mais de mil beija-flores
que vem te saudar: viva o dia que te recebe contente!
sorriremos.
e, antes que dê o primeiro passo,
vou cobrir seus pés de estradas ensolaradas.

O mar, a fogueira, a poesia e o amor se movimentam.
Eu e você, afogados na fúria.
Contorcidos, ali, onde já

não é mais possível viver os nossos próprios nomes.

Um ruflar de asas, um sopro na cinza do cigarro
O pneu do carro está mais baixo?
deixa eu ver
Quê que tem?
nesta cozinha não usamos
nada além de tempero, letras, grãos e água
não é Manuel?
Manuel Bandeira joga as minhas cinzas
no cinzeiro do Terraço, está mais velho, um tanto
nobre, homem de terno e mãos dadas com
o maço de salsinha para o nosso macarrão al penne
camarão fresco, vem , Manoel, quem
me responde?

…o artista padece de cada detalhe do que cria (Dewey, 1974).
nos semafaros se costuram
listas brancas feito passarelas
o bombom ainda na validade
o meu sono da manhanzinha

nos semafaros se rasgam
as fumaças dos carros da pressa
os cadernos do colegial
a minha lampada queimada

nos semafaros se costuram
os tres nós para a Nazica
o verde e o vermelho
o meu beijo de fim de dia

nos semafaros se rasgam
o apito da multa
uma vida perdida no vermelho

uma rua só com pedestres
meu pai, minha avó e minha prima
em um abraço de fam
ilia

 

você me dá palavras
sem tema
eu te dou lavas
de poema
você me dá luzes
sem palco
eu te dou cenas
de talco
você me dá papel
sem centelhas
eu te dou mel
de ovelhas
você me dá vontades
sem coração

eu te dou metade
da imaginação.

Mas daí aconteceu uma coisa
One thing, one
Le petit chose, quelle, je ne c’est qui ça
Nos imponderáveis espaços
Esses quartos da minha carne, meus terraços
Garoa e sol, tudo misturado
Trapos de seda e veludo esmeralda…
A rede se esgarça, é um susto
Um dos quarto se apaga
E eu não tenho mesmo
Idéia, que é isso?
Carrego meu corpo como um pássaro sua cauda cortada.

do satelite
avisto a terra
telescópios virados pra dentro
te espio no vento

suspeito do seu oxigênio
do ar que espalha o incêndio

há escombros
do distante do espaco
pedra, pó e o que foi cimento
despenco do espaco

noite adentro.

eu sou o sol
e vc é a ilha.

No leito de folhas ela se deita.
A luz entrecortada espalha figuras sobre o corpo de leite.
Suas pernas, colunas altas, um  céu emaranhado e louro
tremem sob a onda quente que minhas mãos espalham.

As linhas do tapete
da sala de jantar
são páginas
da minha história

em todo infinito
há um deus
inscrito.

sempre
observo os intervalos
entre

os meus gritos
e os gritos de grafite

É preciso debruçar-se sobre o tempo

Subir na árvore

Sentir os pés no tronco

É preciso levar um tranco

Ouvir o choro transparente do bebe

Beber a água da cachoeira

É preciso acender a lareira

Queimar o jornal de ontem

Jogar um beijo no mato

É preciso lembrar: são quinze para as quatro

É preciso chegar na janela

Recolher o beijo

Acender a vela

A poça é onde brota semente
A poça é semen
A poça é semântica da água

toda mão se entrelaça
entreliça nas janelas    

São  pessoas esses
tons de rosa, luzes
laranja sol?

Quando um sonhador reconstrói o mundo

a partir de um objeto que ele
encanta com seus cuidados, convencemo-nos

de que tudo é germe na vida de um poeta    

Uma lenta humildade penetra no quarto
Que habita em mim na palma do repouso.

Quero perpetuar essas ninfas.
Essas ninfas eu quero eternizar.
Vou perpematar essas ninfas.
tão claro
o rodopio de carnes, que ele gira no ar
a sua carnação, que ela gira no ar
Seu ligeiro encarnado a voltear no ar
tntorpecido de pesados sonos.
Sonho?
Espesso de mormaço e sonos.
— Sonhei ou … ?

O erotismo é uma das bases do conhecimento

 tão indispensável como a poesia

Esvazio meus bolsos das mágoas

e despejo tudo na mesa,
testemunha do último gole
na boca

um leve sabor de passado

 

E vou pavimentando a rua com versos,
paralelepípedos sólidos, alguns líquidos,

É preciso rasgar o contrato

colar o destino

encontrar os amigos

respeitar o ócio

dormir ao relento

É preciso esquecer os deveres

criar as palavras

viver sem fantasmas

É preciso brigar com o mundo

pintar outras telas

É preciso cortar as orelhas

Cultivar girassóis amarelos

e campos de feno!

Aconteceu uma coisa, eu não sei bem
um ruflar de asas, um sopro na cinza do cigarro
o pneu do carro está mais baixo?
ou foi o varal que se  desprendeu
as roupas no chão são tão longe
das minhas mãos
é como se eu tivesse estado em uni

versos
Assim, parecidos, entre
tanto paralelos

Engulo em seco

Minha sede de riso

Da fome de risco

Arrisco um mergulho

No asfalto dos dias

Floresço

Da lama renasço

Lótus

Se a porta fecha

Resta a fresta

Raio roubado

Do frio da madrugada

Um hálito doce

alvorada

Ele veio com o silencio
Boca tapada com lenço
Respondi com cascata
Palavras

…a voz do coração
eu preciso escutar
o silêncio, meu fone de ouvido

 O amor acaba.

 Numa esquina, por exemplo,

 num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio;

 acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro

 onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro

 que ele atira de raiva

contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto,

polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez

da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria

póstuma, que não veio; e acaba o amor no

 desenlace das mãos no cinema

 

Ao físico de Arimatéia

um José por ali, como o outro,
uma veste qualquer
nenhuma vaidade (que não deu tempo, não é?)
como eu, o José
no Pronto Socorro
Nosso burrico azul
levando-nos e  aos mesmos sustos
No trote das sístoles, das diástoles e nossas juras
de que, se salvos
seremos melhores que antes
ao menos em nome de Jesus
ali está presente em gotas
em nossas veias
entrando, líquido sangue
como o soro
entra no doente do corpo.

…………………….

você me dá palavras sem tema

eu te dou lavas de poema
lá no arco-íris, te peço um bis
dou uma dentada, você cai por um triz
dou-te corda, você retorna
a chuva cai morna
dou manobras, recebo roxos
dou sorrisos, recebo figos
devolvo o seu mico, você paga de mansinho
dou um rolê, você faz um crochê  um ponche que cabe você
dou um abraço
saio só, levo, tó

Se dou o copo, recebo água

Se dou lágrima recebo o lenço

Dou as costas… você vira ostra

Dou o lábio, você o batom

dou o medo, recebo assombração

dou o terço, recebo oraçao

dou uma prosa, recebo rosas

dou o grão, rececebo o pão

dou o tapa, recebo a mágoa

dou a chuva, vem cacho de uva

dou a mesa, e vem a festa

dou o samba, recebo canção

dou a rua, e levo o luar

dou meu sol, recebo teu mar

devolvo o vagalume, recebo a lâmpada

saio de palhaço, recebo abraço

Labioastros

ecliptofágico devoro
enigmácias

e o sabor dos astrolábios
vem
de encontro aos meus lábios

criptolássico
percorro deltas
T  infinito
…….. da carne

estrépitonulo
cúmulos  nimbo
escurolimbo

me lanço adentro                  

espectrogórica fumaça

  

Quando quero que você me veja nua,

tenho que me vestir toda e fingir ser tua

Quando quero o doce de abóbora que perfuma a cozinha,

tenho que dizer toma, esta flor é tua

Quando quero ir embora e levar tudo que entope a salinha do fundo,

tenho que quebrar portas, janelas, canecas e vasilhas

Quando quero ser o sol nascendo atrás da montanha do seu dia,

tenho que deitar lua cheia e brilhar a noite todinha.

me dou à espera. recebo a paciência,

dou o desengano em troca do logro.

recebo a quimera, aceito a ciência,

sou um simples humano, festejo o ogro,

faço disso a comunhão,

as coisas são como são.

Nada é de fato um fato
Nada é de verdade
Nada é nada
Nada

As mãos da cidade

embalam a banca de jornal

com papel celofane

amarelo.

Fazem do cisne

um títere

estrela do lago

o palco do parque.

As mãos da cidade

gostam de dar

petelecos

nos helicópteros

que azucrinam

o azul granulado.

Levam a libélula

e a liberdade

ao cisne.


Estou com muitas saudades, saudades dos nossos

lanchinhos de madrugada, dos nossos problemas

sendo resolvidos juntos, da nossa amizade

em fim to com saudades da gente . Gui.

não vai me esquecer o sol  trancado
na gaveta
da  cômoda
perto do sabonete, largado
com  a pasta de dente,
entre os dentes do  gato
da  alice
entrementes
no  fechado da estante

…..a conquista do impreciso se faz com precisão. Por obediência supersticiosa, 
ora mantenho a pontuação; inovo; ou elimino. A tipografia conta, porque aqui 
começa uma não-linearidade som-escrita (fique a escritura para os colombos tardios). 
Para ler, o original ao menos, com olho, ouvido e braille: devagar, com tato, 
algum palato, muito olfato. e um poema erótico, de erecção e elevação e 
impotência: tudo se resolve no papel, faute de mieux. São ninfas e é a poesia; 
uma flauta dupla priápica, duas ninfas’: são canetas, é tinteiro-pântano, é um 
papel de brancura animal, são mulheres, palavras…
Décio, Augusto e Haroldo de Campos
Ed. Perspectiva

Toda mão que ama

é um ímã

Senhores Ladrões


Os bens que temos nesta casa 

ficam no nosso coração,

são os nossos sonhos

feitos de poemas

desejos de uma

humanidade melhor.

Portanto, não perca seu tempo conosco.


Mas, caso a vontade de roubar

seja incontrolável,

pegue uma flor

bem bonita no jardim

e leve para sua namorada.

Abaixo assinados:

Regina Gulla e poetas do Bosque Sonhador

Oficina Literária Gato de Máscara
http://bosquesonhador.wordpress.com


E a gente vai se buscando, no meio desse ir e vir,

 entre a emoção e a linguagem. Depois parece que

 ficamos novamente vazios, e  onde estará

a linguagem amorosa? E novamente escrevemos,

e escrevemos, mesmo  porque  tem um self

 preservadíssimo, com impressão digital e tudo,

 morando cotidianamente, embora em segredo,

na intimidade da gente, pedindo  para ser si mesmo.

E alguns, mais espertos, mais precipitados talvez,

 logo  arranjam um jeito de encontrar uma linguagem

 para traduzí-lo, para deixá-lo  quase que à vista,

ao menos à espreita. É o que você faz quando

escreve o  poema. Por isso, estranha. Por isso

acha que parece que não foi você  quem fez.

Aqui, muitos poemas em um poema,

Baudelaire tropeçando nas pedras da calçada

e nos versos, nos rastros do dia e

a fonte inexplicável desse dom,

é a solidão do feminino e de Deus?

Bosque Sonhador
    Oficina de Criação Literária

Aqui vivem

Regina Gulla – professora de poesia

e os Zeladores de Sonhos 
dos

poetas  adormecidos da cidade
.

O Poeta da Cidade

O calendário do poeta

está para ser escrito

cada bicada de passarinho

na semente da fruta

é uma digitação

(o computador do poeta é canoro)

O dia do poeta vem em branco

e

se emoldura redondo nos acontecimentos

o poeta vai e desmonta a roda

para entender como os dias caminham

Sonho, mas não parece.
Nem quero que pareça.
É por dentro que eu gosto que aconteça
A minha vida.
Íntima, funda, como um sentimento

De que se tem pudor
Vulcão de exterior
Tão apagado,
Que um pastor
Possa sobre ele apascentar o gado.

Mas os versos, depois,
Frutos do sonho e dessa mesma vida,
É quase à queima-roupa que os atiro
Contra a serenidade de quem passa.
Então, já não sou eu que testemunho
A graça
Da poesia:
É ela, prisioneira,
Que, vendo a porta da prisão aberta,
Como chispa que salta da fogueira
Numa agressiva fúria se liberta.

 

Veja você

Antes ele era pedra de quicar

Hoje é navio, é bote

Antes ele era roupa pra lavar

Hoje é estrela do norte

Antes ele era conta de colar

Hoje é conto de morte

Antes ele era quadro pra enfeitar

Hoje é faca de corte

Era estrada subindo a serra

Hoje é farol, holofote.

le poète est en ville

des Madaleines…

Cadê o poeta que está em mim?

O gato comeu….

O gato comeu?


 

A mão silenciosa

Despedaça o pão

A mão desenlaça o pãp

Cachos aros elos nacos

Ecos de comida

Ecos de alma as pessoas à mesa

(passos)

pedaços de ontem

repartindo o hoje

 

As luzes das cidade
são uma réplica
da geografia do céu.

nós, contidos.
nós, limitados.
nós, desse lado.

distantes
demais

dos enigmas
decalcados no
infinito.

 

As mãos da cidade

Correm nas ancas

bancas de Jornal

Busco a tampa pra panela

O cadarço pro têni

O rodo pro balde

 

Busco a casa pro sem teto

As vogais pro alfabeto

A porta pra chave

 

A máscara pras olheiras

Busco

O livro pra cabeceira

 

Busco o professor para o aluno

Busco a palavra que o toque

 

A música pro silêncio

Busco o silêncio na música

 

Cabelos pro pente

O nada na mente

 

O descanso

O sono

 

          Busco um tempo

       Mais lento

     Longas horas

                                                             

         Busco um espaço

           Mais próximo

              Um encontro

 

O errante e misterioso flâneur teve origem na obra de
Baudelaire

……Quanto ao futuro da flânerie na
p ó s – m o d e rnidade, Fawcett afirma
que, “devido à nossa querida
globalização, o cinturão urbano
está cada vez mais unido;
flâneur tem a possibilidade de
vasculhar todas as cidades possíveis,
internas e externas. A
I n t e rnet já é considerada o sexto
continente do mundo”.

O poeta da cidade não joga papel na rua
ele desenha em papel de bala,
escreve cartas em saquinho de presente
faz nota
fa e sol com papel de chiclete
e com resto da linha de costura da mãe dele
na  partitura do meio fio das calçadas
e nas faixas de pedestres,
(não é besta!), que respeita a qualquer custo

“É preciso estar sempre embriagado. Eis aí tudo:

é a única questão. Para não sentirdes o horrível

 fardo do Tempo que rompe os vossos ombros e vos

inclina para o chão, é preciso embriagar-vos sem trégua.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa maneira.

 Mas embriagai-vos.
E se, alguma vez, nos degraus de um palácio,

 sobre a grama verde de um precipício, na solidão

 morna do vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez

 já diminuída ou desaparecida, pergu

ntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio,

a tudo que foge, a tudo que geme, a tudo que anda,

a tudo que canta, a tudo que fala, perguntai que horas

 são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio,

 responder-vos-ão: ‘É hora de embriagar-vos! Para não

 serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos:

 embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude,

 à vossa maneira’.”
Charles Baudelaire

…Diario do Dia
O dia levantou bem  cedo, faminto de pão com manteiga.

Quando você quer mais do que possui
Você pensa que precisa.
E quando você pensa
Mais do que você quer
Seus pensamentos
Começam a sangrar…

eu imagino assim a morte de pavese:
era um quarto de hotel em turim,
decerto um hotel modesto, de uma ou duas
estrelas, se é que havia estrelas.

uma cama de pau, de verniz estalado,
rangendo de encontros fortuitos, um colchão mole e húmido
com a cova no meio. a do costume.
corria o mês de agosto com sua terra escura

encardindo as cortinas. nada ia explodir
naquele mês de agosto àquela hora da tarde
de luz adocicada. e alguém pusera
três rosas de plástico num solitário verde.
Os passos do homem…
As mãos da cidade
Guiam
Os pássaros perdidos.

Os passos do homem
Seguem
Enquanto as mãos da cidade
Regem
Uma prece.   

Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

   Põe na mesa teu livro de geografia,
É a península a próxima lição?
Barro e água, assim,  mesclados
com os alfaces da tigela
Quer que eu procure a receita?
É mais ou menos assim, veja:
deixa o mar abrir-se na panela,
derrama teu sonho de barro,
e cardumes
de estrelas
e panteras
Um pó de terra, por fim
aquela guardada na memória
de minha Ilha ensolarada
E prova
o dia de hoje, peninsular
Os meteorologistas prometem sol,
na península ibérica todinha, essa
que se estende em nossos dorsos
continentes
Acabei de ver na TV.

É isso aí


Um vendedor de flores


Ensinar seus filhos a escolher seus amores

Enquanto a cidade..

Ressuscita

suscita possibilidades

mesmo quando finge dormir por de baixo de grama e mato enrolado

a mim pedi expedições

luz solar e agua encanada

E o sol, por fim:
“ Somos amigos
para sempre,
eu de você,
você de mim.
Vamos poeta,
cantar,
luzir
no lixo cinza do universo.
Eu verterei o meu sol
e você o seu com seus versos.”

as dans la vraie vie … mais justement c’est pour cela que je l’ aim

cura

nas minhas ensimesmações
desejo te fazer cansado
e sonolento dormir
na areia branca de mim.
para que eu possa,
no manto da noite enluarada,
desvendar seus olhos
em vagalumes e nebulosas.

de madrugada, deitarei folhas
embebidas de orvalho e relva
nas suas feridas mais profundas.
enquanto sonha, do riacho ouvirá
o sibilar baixinho dos grilos e rãs trazendo infância.

de manhã, o corpo descamado e novo
nos beijos de mais de mil beija-flores
que vem te saudar: viva o dia que te recebe contente!
sorriremos.
e, antes que dê o primeiro passo,
vou cobrir seus pés de estradas ensolaradas.

O mar, a fogueira, a poesia e o amor se movimentam.
Eu e você, afogados na fúria.
Contorcidos, ali, onde já

não é mais possível viver os nossos próprios nomes.

Um ruflar de asas, um sopro na cinza do cigarro
O pneu do carro está mais baixo?
deixa eu ver
Quê que tem?
nesta cozinha não usamos
nada além de tempero, letras, grãos e água
não é Manuel?
Manuel Bandeira joga as minhas cinzas
no cinzeiro do Terraço, está mais velho, um tanto
nobre, homem de terno e mãos dadas com
o maço de salsinha para o nosso macarrão al penne
camarão fresco, vem , Manoel, quem
me responde?

…o artista padece de cada detalhe do que cria (Dewey, 1974).
nos semafaros se costuram
listas brancas feito passarelas
o bombom ainda na validade
o meu sono da manhanzinha

nos semafaros se rasgam
as fumaças dos carros da pressa
os cadernos do colegial
a minha lampada queimada

nos semafaros se costuram
os tres nós para a Nazica
o verde e o vermelho
o meu beijo de fim de dia

nos semafaros se rasgam
o apito da multa
uma vida perdida no vermelho

uma rua só com pedestres
meu pai, minha avó e minha prima
em um abraço de fam
ilia

 

você me dá palavras
sem tema
eu te dou lavas
de poema
você me dá luzes
sem palco
eu te dou cenas
de talco
você me dá papel
sem centelhas
eu te dou mel
de ovelhas
você me dá vontades
sem coração

eu te dou metade
da imaginação.

Mas daí aconteceu uma coisa
One thing, one
Le petit chose, quelle, je ne c’est qui ça
Nos imponderáveis espaços
Esses quartos da minha carne, meus terraços
Garoa e sol, tudo misturado
Trapos de seda e veludo esmeralda…
A rede se esgarça, é um susto
Um dos quarto se apaga
E eu não tenho mesmo
Idéia, que é isso?
Carrego meu corpo como um pássaro sua cauda cortada.

do satelite
avisto a terra
telescópios virados pra dentro
te espio no vento

suspeito do seu oxigênio
do ar que espalha o incêndio

há escombros
do distante do espaco
pedra, pó e o que foi cimento
despenco do espaco

noite adentro.

eu sou o sol
e vc é a ilha.

No leito de folhas ela se deita.
A luz entrecortada espalha figuras sobre o corpo de leite.
Suas pernas, colunas altas, um  céu emaranhado e louro
tremem sob a onda quente que minhas mãos espalham.

As linhas do tapete
da sala de jantar
são páginas
da minha história

em todo infinito
há um deus
inscrito.

sempre
observo os intervalos
entre

os meus gritos
e os gritos de grafite

É preciso debruçar-se sobre o tempo

Subir na árvore

Sentir os pés no tronco

É preciso levar um tranco

Ouvir o choro transparente do bebe

Beber a água da cachoeira

É preciso acender a lareira

Queimar o jornal de ontem

Jogar um beijo no mato

É preciso lembrar: são quinze para as quatro

É preciso chegar na janela

Recolher o beijo

Acender a vela

A poça é onde brota semente
A poça é semen
A poça é semântica da água

toda mão se entrelaça
entreliça nas janelas    

São  pessoas esses
tons de rosa, luzes
laranja sol?

Quando um sonhador reconstrói o mundo

a partir de um objeto que ele
encanta com seus cuidados, convencemo-nos

de que tudo é germe na vida de um poeta    

Uma lenta humildade penetra no quarto
Que habita em mim na palma do repouso.

Quero perpetuar essas ninfas.
Essas ninfas eu quero eternizar.
Vou perpematar essas ninfas.
tão claro
o rodopio de carnes, que ele gira no ar
a sua carnação, que ela gira no ar
Seu ligeiro encarnado a voltear no ar
tntorpecido de pesados sonos.
Sonho?
Espesso de mormaço e sonos.
— Sonhei ou … ?

O erotismo é uma das bases do conhecimento

 tão indispensável como a poesia

Esvazio meus bolsos das mágoas

e despejo tudo na mesa,
testemunha do último gole
na boca

um leve sabor de passado

 

E vou pavimentando a rua com versos,
paralelepípedos sólidos, alguns líquidos,

É preciso rasgar o contrato

É preciso colar o destino

É preciso encontrar os amigos

É preciso respeitar o ócio

É preciso dormir ao relento

É preciso esquecer os deveres

É preciso criar as palavras

É preciso viver sem fantasmas

É preciso brigar com o mundo

É preciso pintar outras telas

É preciso cortar as orelhas

Cultivar girassóis amarelos

e campos de feno!

Aconteceu uma coisa, eu não sei bem
um ruflar de asas, um sopro na cinza do cigarro
o pneu do carro está mais baixo?
ou foi o varal que se  desprendeu
as roupas no chão são tão longe
das minhas mãos
é como se eu tivesse estado em uni

versos
Assim, parecidos, entre
tanto paralelos

Engulo em seco

Minha sede de riso

Da fome de risco

Arrisco um mergulho

No asfalto dos dias

Floresço

Da lama renasço

Lótus

Se a porta fecha

Resta a fresta

Raio roubado

Do frio da madrugada

Um hálito doce

alvorada

Ele veio com o silencio
Boca tapada com lenço
Respondi com cascata
Palavras

…a voz do coração
eu preciso escutar
o silêncio, meu fone de ouvido

 O amor acaba.

 Numa esquina, por exemplo,

 num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio;

 acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro

 onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro

 que ele atira de raiva

contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto,

polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez

da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria

póstuma, que não veio; e acaba o amor no

 desenlace das mãos no cinema

 

Ao físico de Arimatéia

um José por ali, como o outro,
uma veste qualquer
nenhuma vaidade (que não deu tempo, não é?)
como eu, o José
no Pronto Socorro
Nosso burrico azul
levando-nos e  aos mesmos sustos
No trote das sístoles, das diástoles e nossas juras
de que, se salvos
seremos melhores que antes
ao menos me nome de Jesus
Que ali está presente
em nossas veias
Entrando, líquido sangue
como o soro
Entra no doente do corpo.

você me dá palavras sem tema

eu te dou lavas de poema
lá no arco-íris, te peço um bis
dou uma dentada, você cai por um triz
dou-te corda, você retorna
a chuva cai morna
dou manobras, recebo roxos
dou sorrisos, recebo figos
devolvo o seu mico, você paga de mansinho
dou um rolê, você faz um crochê  um ponche que cabe você
dou um abraço
saio só, levo, tó

Se dou o copo, recebo água

Se dou lágrima recebo o lenço

Dou as costas… você vira ostra

Dou o lábio, você o batom

dou o medo, recebo assombração

dou o terço, recebo oraçao

dou uma prosa, recebo rosas

dou o grão, rececebo o pão

dou o tapa, recebo a mágoa

dou a chuva, vem cacho de uva

dou a mesa, e vem a festa

dou o samba, recebo canção

dou a rua, e levo o luar

dou meu sol, recebo teu mar

devolvo o vagalume, recebo a lâmpada

saio de palhaço, recebo abraço

Labioastros

ecliptofágico devoro
enigmácias

e o sabor dos astrolábios
vem
de encontro aos meus lábios

criptolássico
percorro deltas
T  infinito
…….. da carne

estrépitonulo
cúmulos  nimbo
escurolimbo

me lanço adentro                  

espectrogórica fumaça

  

Quando quero que você me veja nua,

tenho que me vestir toda e fingir ser tua

Quando quero o doce de abóbora que perfuma a cozinha,

tenho que dizer toma, esta flor é tua

Quando quero ir embora e levar tudo que entope a salinha do fundo,

tenho que quebrar portas, janelas, canecas e vasilhas

Quando quero ser o sol nascendo atrás da montanha do seu dia,

tenho que deitar lua cheia e brilhar a noite todinha.

me dou à espera. recebo a paciência,

dou o desengano em troca do logro.

recebo a quimera, aceito a ciência,

sou um simples humano, festejo o ogro,

faço disso a comunhão,

as coisas são como são.

Nada é de fato um fato
Nada é de verdade
Nada é nada
Nada

As mãos da cidade

embalam a banca de jornal

com papel celofane

amarelo.

Fazem do cisne

um títere

estrela do lago

o palco do parque.

As mãos da cidade

gostam de dar

petelecos

nos helicópteros

que azucrinam

o azul granulado.

Levam a libélula

e a liberdade

ao cisne.


Estou com muitas saudades, saudades dos nossos

lanchinhos de madrugada, dos nossos problemas

sendo resolvidos juntos, da nossa amizade

em fim to com saudades da gente . Gui.

não vai me esquecer o sol  trancado
na gaveta
da  cômoda
perto do sabonete, largado
com  a pasta de dente,
entre os dentes do  gato
da  alice
entrementes
no  fechado da estante

…..a conquista do impreciso se faz com precisão. Por obediência supersticiosa, 
ora mantenho a pontuação; inovo; ou elimino. A tipografia conta, porque aqui 
começa uma não-linearidade som-escrita (fique a escritura para os colombos tardios). 
Para ler, o original ao menos, com olho, ouvido e braille: devagar, com tato, 
algum palato, muito olfato. e um poema erótico, de erecção e elevação e 
impotência: tudo se resolve no papel, faute de mieux. São ninfas e é a poesia; 
uma flauta dupla priápica, duas ninfas’: são canetas, é tinteiro-pântano, é um 
papel de brancura animal, são mulheres, palavras…
Décio, Augusto e Haroldo de Campos
Ed. Perspectiva

Toda mão que ama

é um ímã

Senhores Ladrões


Os bens que temos nesta casa 

ficam no nosso coração,

são os nossos sonhos

feitos de poemas

desejos de uma

humanidade melhor.

Portanto, não perca seu tempo conosco.


Mas, caso a vontade de roubar

seja incontrolável,

pegue uma flor

bem bonita no jardim

e leve para sua namorada.

Abaixo assinados:

Regina Gulla e poetas do Bosque Sonhador

Oficina Literária Gato de Máscara
http://bosquesonhador.wordpress.com


E a gente vai se buscando, no meio desse ir e vir,

 entre a emoção e a linguagem. Depois parece que

 ficamos novamente vazios, e  onde estará

a linguagem amorosa? E novamente escrevemos,

e escrevemos, mesmo  porque  tem um self

 preservadíssimo, com impressão digital e tudo,

 morando cotidianamente, embora em segredo,

na intimidade da gente, pedindo  para ser si mesmo.

E alguns, mais espertos, mais precipitados talvez,

 logo  arranjam um jeito de encontrar uma linguagem

 para traduzí-lo, para deixá-lo  quase que à vista,

ao menos à espreita. É o que você faz quando

escreve o  poema. Por isso, estranha. Por isso

acha que parece que não foi você  quem fez.

Aqui, muitos poemas em um poema,

Baudelaire tropeçando nas pedras da calçada

e nos versos, nos rastros do dia e

a fonte inexplicável desse dom,

é a solidão do feminino e de Deus?

Bosque Sonhador
    Oficina de Criação Literária

Aqui vivem

Regina Gulla – professora de poesia

e os Zeladores de Sonhos 
dos

poetas  adormecidos da cidade
.

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O que é isso?

Você está lendo no momento O Poeta da Cidade, Arte na Vila Madalena, 2012 no O BOSQUE SONHADOR.

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