Infância, anos nômades

8 de maio de 2011 § Deixe um comentário

árvore da infância

Mal entra na vida ela já é um caçador. Caça os espíritos cujos vestígios fareja nas coisas… Sucede-lhe como nos sonhos: ela não conhece nada estável; acontece-lhe de tudo, pensa a criança, tudo lhe sobrevem, tudo a acossa. Seus anos de nômade são horas passadas no bosque onírico. De lá, ela arrasta a presa para casa, para limpá-la , consolidá-la, desenfeitiçá-la. Suas gavetas precisam transformar-se em arsenal e zoológico, museu e cripta. “Pôr em ordem “significaria destruir uma obra repleta de castanhas espinhosas, que são as estrelas da manhã, papéis de estanho, uma mina de prata, blocos de madeira, os ataúdes, os cactos, as árvores totêmicas e moedas de cobre, os escudos. Há muito tempo a criança ajuda no guarda-roupa da mãe, na biblioteca do pai – no próprio terreno, contudo continua sendo o hóspede mais inseguro e irascivel. 

Walter Benjamin, Reflexões sobre a criança , o brinquedo e a educação, pg 80, Summus editorial, 1984

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