Chronos e Aion- Como medir o tempo poético?

3 de novembro de 2010 § Deixe um comentário

Antes de entrarmos no campo da literatura infantil propriamente dita, tenho para mim  que alguns referentes, como o conceito de Tempo, o do Brincar, o de Espaço Transicional e mais alguns, serão valiosos para que se mantenha um foco na conversa.

“CRONOS E AION *

Aqui vai uma pitada da conceituação de Cronos e Aion feita
por Deleuze[2]<http://www.filologia.org.br/anais/anais%20III%20CNLF44.html#_ftn3>.
Segundo  o filósofo,

para Cronos, só o presente existe  no tempo, enquanto,
para o Aion, o que subsiste no tempo é o passado e o futuro. Em  lugar de um
agora, que estende seus  tentáculos ao passado e ao futuro, tornando o tempo
sempre presente, há um futuro e um passado que fragmentam, a cada momento  do
tempo,  o presente, e multiplicam, ao infinito, o passado e o futuro.
Cronos, assim  conceituado, pode ser infinito sem, entretanto, ser
ilimitado. É o movimento marcado dos presentes amplos e abismais. Desta
forma, só o presente afeta Cronos. Sob sua égide marcha a ação dos corpos e
as qualidade  corporais, a limitação e a infinitude, a circularidade e os
acidentes desta mesma circularidade.

Já  o Aion, para quem o presente não se faz presente, se instaura como
espaço das vivências incorporais e dos atributos distintos das qualidades; é
prenhe de efeitos que o povoam sem, entretanto, conseguir preenchê-lo; é
ilimitado como o futuro e o passado, mas finito como o instante; estica-se
em linha reta, incomensurável, nos dois sentidos. Sendo sempre passado e
sempre devir,  Aion redimensiona-se como verdade eterna do tempo. Ainda
pensando com  Deleuze, esclarecemos que é este mundo novo, dos efeitos
incorporais ou dos efeitos de superfície, que torna a linguagem possível. É
ele, o Aion, que  distingue a linguagem, retirando os sons de seu simples
estado de paixões corporais, impedindo-a de confundir-se com os barulhos dos
corpos; é por isso que a linguagem não pára de nascer. Nasce e renasce como
a Phênix, em direção ao futuro interminável ou em direção ao passado
insondável: limitadamente ilimitada. A consciência se produz através de um
instrumento e este instrumento é o verbo, a palavra. Nossa proposta é
analisar o discurso do amor, portanto um discurso erótico.
Destarte, o presente do Cronos tece uma rede de conjugação dos opostos –  todo
o passado e todo o futuro estão contidos num presente eterno, porém
corpóreo, a que podemos chamar, seguindo a teoria de Bataille, de
descontinuidade. Para o filósofo, somos seres descontínuos, pessoas que
individualmente morrem, numa aventura enigmática, marcada, contudo, pela
nostalgia da continuidade
perdida[3]<http://www.filologia.org.br/anais/anais%20III%20CNLF44.html#_ftn4>.
No entanto, o espraiamento de Aion em direção ao passado e ao futuro aponta
para o imponderável, para o labirinto, para o tempo do a-tempo, a que
Bataille chamaria de  continuidade, à medida que a morte tem, para o
filósofo, o sentido da continuidade do ser, da busca de sua completude
primordial.”

http://vimeo.com/13494802

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