Chalé da poeta Mariana Dorin

16 de setembro de 2010 § Deixe um comentário

e quando me pegou pela mão

correnteza

arrastou meu corpo todo

em redemoinho

queda de Alice

fundo do poço

voltei à tona sem forças

calmaria

me refiz mina dágua

no seu sorriso

de relâmpagos e turbilhões

e meu coração novo

trovejou na tempestade

inundou horas e dias

esquecido de sangrar

Mariana Dorin

…………………………………….

Queimada

Comeu um braço,

outro, galho

depois  dez

devagarinho ia se desnudando a árvore de folhas e romãs

do alto caíam fagulhas e estilhaços em brasa

sobrou o tronco encolhido, retorcido

morto

na madeira escura ainda quente

por entre os sulcos aparecia

o diabo

de veste celofane

alaranjado

o cabelo em caracol

enrolava língua, orelhas,

gargalhava

boca, olhos

e lambia os dedos, espadas com romãs fincadas

nos cachos de cabelo, um cheiro de folha queimada.

Mariana Dorin, 20/8/2010
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