A gente dá o que recebe

12 de setembro de 2010 § 2 Comentários

 

jardim, aquarela, regina gulla

jardim, aquarela, regina gulla

Completando a apresentação do formato

Conversas Prováveis,  sem comprovação científica até o momento.

devo dizer que tenho uma forte antipatia por currículos.     Mas vamos e venhamos/deixa isso pra lá por hora, quero lhes contar outra coisa.

Sabem que por esses dias coincidentemente tenho  ouvido não de um, mas de alguns amigos algo muito próximo de uma coisa assim, ao participarem de  minhas inquietações:

-Re, você costuma dar muito, Re, você é muuuito generoooosa. (cheguei a notar  em um dos três,certa admiração por uma… digamos… uma espécie de especialidade minha….)

Eu? Generosa? Bem, claro, tenho formação cristã, penso em todos
ao invés de somente em mim mesma, meus pais me ensinaram devidamente a prática da cortesia,
essas coisas obrigatórias a
qualquer um que tenha um mínimo de juizo, neste mundo largado aos pedaços para os cães resolverem.

Que será… Uai…O que é que estão me dizendo, afinal?
Tive de me deter.
Que há de tão especial nessa atitude: fornecer conhecimento, dentro
da experiência artistica, da vivência poética?
Então cheguei à conclusão que grande parte de nós está se acostumando a viver
praticamente à míngua intelectual, à mingua da consciência do que faz, do que produz, não será? E da conciência de ser inteiro.

Não estou dizendo intelectual no sentido pomposo do termo, o pedantismo que se costuma ver nos
que procuram narcisisticamente deter o saber, possui-lo como a um anel de topázio
Nem sequer no sentido do sujeito do  ‘culto ” , aquele empinado, entupido de informações acadêmicas.
e pouca ou nenhuma relação com o ofício braçal, não.
Estou me referindo a atividade intelectual no sentido
de um exercício contínuo possível à nossa Inteligência Inteira, a asfaltada e a sensível,
De ser vivido a cada experiência com linguagem, a cada experiência nesse terreno do imponderável, ok?
É isso.

Então, em certos casos acho que lembrar de onde vim a vocês que me confiam a sua aprendizagem, que me confiam orientá-los no
cultivo de uma linguagem… Lembra-los de onde é que me meti esse tempo todo,
quer saber de uma coisa, às vezes carece de ser feito, sim, de tempos em tempos, essa retomada curricular.
Ao menos relembra-los novamente de onde, e com quem,  estão entrando.

Pois trata-se de fato de tempo, do tempo; trata-se de história.

Quero dizer com isso, que passei por algumas mãos, de artistas e poetas –
nessa minha aprendizagem auto-didática,  que fui construindo a custa de buscas com  lupa nas mãos e nos olhos,
em convívios e em oficinas desse caráter, de ofício, livres,
como a nossa Gato de Máscara; não na universidade, que eu fazia outra,
na época –  pessoas mesmo, pessoas inteiras, que me levaram em consideração,
assim como aos meus desejos de viver com legitimidade a experiência poética,

fosse na pintura (Nóbrega e Suanê, Ubirajara Ribeiro), Fang, e  senhor Manabu Mabe,
no desenho (Dalton de Luca), na gravura e pintura com o  Evandro Carlos Jardim e o querido Moa,
na cerâmica japonesa e no Sumiê, com os tradicionais cavalheiros
japoneses do Instituto Brasil/Japão, na Liberdade (vejam onde me meti, hein?)
Claudio Viller, Sérgio Lima, Sílvio Fiorani, Carlos Felipe Moises, Flávio di Giorgi,
Dora Ferreira da Silva, poeta maior,
Mestre Liu Pai Lin, na meditação,
Claro, claríssimo, o meu grupo de palhaços do Jogando no Quintal,
que me confirmou o que eu timidamente desconfiava
– junto  àquela competentíssima palhaça, minha profe do coração,  a Gabi –
durante o ano de 2008 todo, que viver é rir de si mesmo, na boa,
e recriar-se em linguagem, a cada instante.
E que as aulas de linguagem não têm como se separar de aulas de vida, andam juntas.

Viver então pode ser linguagem?

Luiz Rosemberg, Joel Yamaji meu irmão de tudo, de coração, de oficina junto, de psicanálise junto,
e Luis Tonacci, em linguagem de cinema;
em linguagem dramaturgica, o Samir Yazbec, lá no  Centro da Terra, 2006/2007/ chegava atrasada.
E, obviamente, a Selma Daffré, de quem lhes falei semana passada.
E outros que não tenho espaço para comentar aqui, mas que estãp pertinho.

A gratidão que eu tenho por essa gente que não só me deu tudo que eu tento passar a vocês,
(afinal , o tempo dos sarcófagos já era!)
como me ensinou que ensinar é viver, junto, assumir, junto, qualquer
riqueza que se obtenha do trabalho em comum, seja nas aulas
seja nos ateliers – nas oficinas que eles, ora juntos, ora separadamente
me proporcionaram – com que me privilegiaram essas pessoas, essa gratidão não é nem cristã,
é quase que logico-dedutiva, rsrsrs, pois está nas células, nessas aqui, ó,  que eles alimentaram.
Também nao vi ninguém generoso nem bonzinho por ali, não. rsrsrs.

Então, não foi somente com esse cara super bacana, o Jesus Cristo, que aprendi a
olhar os outros, a dar o que recebo. Não.
foi
com as minhas santas análises, e mais que tudo, com essa gente – antepassada?
que faço questão de mencionar, de ressuscitar,
obrigação minha de fazê-lo, sobretudo em meio a dessa tecnocracia de ensino em que se formam
atualmente os designers e estetas para o tal mercado (por que nao estou dando aula em faculdade?, hein)
Um mercado absoluto, isento de qualquer crítica, autocrítica, então…pelo que vejo,
que vai sugar desses jovens atores da estética não somente a alma,
como o mínimo de vitalidade que lhes sobra. Isso  em troca de um
parco, precaríssimo, embora ilusório, reconhecimento, e de dificultadíssimo sucesso, aliás, pelos que já o tem.
Em qualquer das áreas de comunicação, de linguagem, nao sou eu que digo, olhem em volta.

Então, se sou alguma coisa de interessante, ou ao menos de curioso para alguns de vocês,
meus queridos aprendizes ou companheiros de linguagem, e amigos, saibam que de boazinha,
abnegada e generosa eu não tenho nada, nem um gen, sequer (quem dera!).
O que eu tenho a oferecer? Nada mais que uma história a respeitar, e  a lembrá-los, com muita, muita alegria, acreditem.
E, claro, a perfeita consciência, quase que comprovada cientificamente, de que pode ser que para o outro lado
não levemos nada daqui, não, como acreditavam os povos egípcios .
Sou brasileira, ano de 2010. Né?
Bjbj

Bom fim de semana a todos
Regina

Para lembrar e parodiar a Selma,
…as linhas, as formas, as cores, constituem forças e no jogo dessas forças, em
seu equilíbrio, reside o secreto da criação.

Tento então o meu arremedo:
as palavras, as imagens, os volumes sonoros, os ritmos
as linhas, os vislumbres de algo vivo em cada texto,
constituem  FORÇAS, e no jogo dessas forças reside o secreto da criação.
Grata, Selma, Grata a todos de quem pude renascer como linguagem.

Atestados de Paternidade de Regina Gulla:

Selma Daffré:
http://www.selmadaffre.art.br/

Evandro Carlos Jardim:
http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=1697&cd_idioma=28555

Sergio Lima:
http://www.triplov.com/surreal/sergio_lima.html

Carlos Felipe Moises
http://www.google.com.br/#hl=pt-BR&source=hp&q=Carlos+Felipe+Moises&aq=f&aqi=g1&aql=&oq=&gs_rfai=&fp=dca3e15775870e9b

Dora Ferreira da Silva
http://www.google.com.br/#hl=pt-BR&source=hp&q=dora+ferreira+da+silva&aq=0&aqi=g2&aql=&oq=Dora+ferreira+da+Silva&gs_rfai=&fp=dca3e15775870e9b

Joel Yamaji:
http://www.fca.pucminas.br/ceis/videoteca/videos_itau.htm
Programa 26/ Videoteca Itaú Cultural, Acervo

O Imaginário na Criação (Série Tempos do Sensível)
Joel Yamaji e Neco Pagliuso, Esculturas de Paulo Tadeo

Um olhar (Série Tempos do Sensível)
Joel Yamaji e Neco Pagliuso

Um Olhar na Pintura (Série Tempos do Sensível)
Joel Yamaji e Neco Pagliuso – aquarelas de Regina Gulla

Silvio Fiorani
http://www.planetanews.com/autor/SILVIO%20FIORANI

Claudio Viller
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&rlz=1B7GGLL_enBR377BR377&q=Claudio+Viller&btnG=Pesquisar&aq=f&aqi=&aql=&oq=&gs_rfai=

Ubirajara Ribeiro:
http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&rlz=1B7GGLL_enBR377BR377&q=Ubirajara+Ribeiro&btnG=Pesquisar&aq=f&aqi=g1&aql=&oq=&gs_rfai=

Claudio Viller:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Claudio_Willer

Jogando no Quintal:
http://www.jogandonoquintal.com.br/

Suanê

http://www.paulodarzegaleria.com.br/junho.htm

Nelson Nobrega

http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_criticas&cd_verbete=2867&cd_item=15&cd_idioma=28555

Tudo isso? Pra dar nisso aqui:
Regina Gulla
http://www.google.com.br/search?hl=&q=Regina+Gulla&sourceid=navclient-ff&rlz=1B7GGLL_enBR377BR377&ie=UTF-8

Para quem não conhece, vale dizer:
Sumi-ê é a arte da pintura feita com tinta preta sumi. Conhecida, inicialmente,
como suibokuga (“água sumi-pintura”), sua
origem vincula- se aos mosteiros budistas chineses da Dinastia Sung (960-1274)
e sua introdução no Japão remete ao século
XIV, juntamente com a entrada da doutrina zen-budista no país.

O material
usado em sua prática compreende pincéis de diferentes tipos,
absorventes papéis chineses e japoneses, além, é
claro, da própria tinta sumi, feita a partir da fuligem
de pinheiros (ou de óleos vegetais), finamente moída e misturada
a

aglutinante nikawa, e do suzuri, instrumento empregado

para o preparo da tinta (friccionase o bastão de sumi no

suzuri comágua e, assim, produz-se tinta de diversas tonalidades).

Anúncios

Marcado:, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

§ 2 Respostas para A gente dá o que recebe

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

O que é isso?

Você está lendo no momento A gente dá o que recebe no O BOSQUE SONHADOR.

Meta

%d blogueiros gostam disto: