Eventos da natureza associados a emoções

3 de setembro de 2010 § Deixe um comentário

Às vezes é assim, a gente começa um assunto, esse do Natural, vai para o Menino Jesus do F. Pessoa Caieiro, vai pendurar roupas no varal de casa, volta para o Navio Negreiro, do Antonio Frederico de Castro Alves (coisa mais linda!), abre a gaveta e sela a carta do último amor…

e acontece, acontece uma experiência, que, olha só, aqui foi de fazer poema.

 


Esta selvagem, livre poesia
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia…

A. F. de Castro Alves

Aconteceu

Aconteceu uma coisa, eu não sei bem
um ruflar de asas, um sopro na cinza do cigarro
o pneu do carro está mais baixo?
ou foi o varal que se  desprendeu
as roupas no chão são tão longe
das minhas mãos
é como se eu tivesse estado em uni

versos
Assim, parecidos, entre
tanto paralelos
Cada um de um jeito
E meu peito aceso
cadinho

todos
no núcleo da célula
eu gemo

eu clara do mesmo ovo
Mas daí aconteceu uma coisa
one thing, one
le petit chose, quelle, je ne c’est qui ça
nos imponderáveis espaços


Esses quartos da minha carne, meus terraços
Garoa, Sol, Ilha, tudo misturado trapos

de seda com veludo

esmeralda…


A rede se esgarça, é um susto

ai, meu  Pessoa jesus menino
a luz em um dos meus quartos se apaga
e eu não tenho mesmo
idéia, que é isso?

carrego meu corpo como

um pássaro

leva sua cauda e asas

Regina Gulla, agosto, 2010

aconteceu, aconteceu

………………………….

mais essas palavras para Castro Alves, no comentário de Eça de Queirós, quando lia-lhe o poema Eduardo Prado – interrompendo-o na altura dos versos Às vezes quando o sol nas matas virgens / A fogueira das tardes acendia…” (Castro Alves):

Aí está, em dois versos, toda a poesia dos trópicos“(Eça).

Bonito modo de considerar a brevidade da imagem, não É?

…………………………………

Estão prontos para os nossos exercícios?

cataclisma
catástrofe
fúria = furacão
alivio = ventania
paz = brisa
amor / paixão = correnteza
pororoca = …
rebentação = …
maremoto = …
terremoto = …
tempestade = …
trovoada = …
relâmpago
ideias = liberdade = …
raio de sol = …

pororoca

Vitória Régia

flamingos

aurora (boreal)

constelação

remanso

cardumes

paná-paná

chuva = …

brisa = …
nuvem = …
nevoeiro=
serração = …
eclipse = …
mina dágua = …
fonte = …
cachoeira
nascente (de rio)
gruta

fiordes


E vamos aos poemas:

Poema 1:

Folheio a porta da entrada


mal me quer bem me quer


cada nervura um sopro
cada ranger um capítulo
O sofá? É amarelo
meu colo de Van Gogh minhas penas
e o nanquim é daqui mesmo;
na China tem chinês por acaso?
Como fechar um livro e seus batentes
feitos de minha melhor peroba
forçar agora a chave, pra quê?
Só pra dar uma volta do tempo?
Vá la, tempo
Tenho duas pupilas no jardim
Castanha, a menina, azul cobalto a mãe


desbastam o mato


À beira do rio
das minhas veias
Plantam couve, salsinha
manjericão
querem-me jorrando fonte o coração
Quando vejo o que elas fazem


ai, o perfume de suas aragens
seus braços fortes plumagens
chego a ter certa vergonha
de partir nessa jangada
com ventos a 35km h
para entender onde começam os nevoeiros


Regina Gulla, 03/9/2010, 21:37

……………………………..
Poema 3

e quando me pegou pela mão

correnteza

arrastou meu corpo todo

em redemoinho

queda de Alice

fundo do poço

voltei à tona sem forças

fraca, quase morta

calmaria

me refiz mina dágua

no seu sorriso

de relâmpagos e turbilhões

e meu coração novo

trovejou na tempestade

inundou horas e dias

esquecido de sangrar

amansado no seu leito.

Mariana Dorin, 03/9/2010, 21:36

Aula Imagem Poética


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