O que é o Bosque dos Sonhadores

7 de setembro de 2010 § 1 comentário

casa dos sonhadores da matéria

Todo Sonhador mora na sua casa Inventada. Não tem endereço permanente, já que toda imaginação vive mudando de lugar.

Seu lugar predileto, é o Bosque Sonhador do ciber espaço. Aqui, reune-se com os outros Sonhadores da Matéria. Quer Ver?

Quando se pensa em bosque,  logo se vê um lugar afastado, inóspito, quiçá  solitário, ermo.  Mas as coisas mudaram tanto, que mesmo um bosque pode ser, hoje,  uma lugar de reunião, de contato íntimo, de descobertas imaginativas, de criação compartilhada.

Entra, vem

Aqui, há  um bosque sonhando com gente. Gente que transite por seus meandros, acarinhe seus troncos, receba a purpurina dourada do sol, ali, dia todo, escorrendo feito cascata pelas copas das magníficas árvores; que leia a partitura dos pássaros.

Ali, um  Sonhador caminha, sonhando um bosque onde encontrar outros sonhadores, e tudo se encaixa num espaço possível, incrível, para ambos: o ciberespaço, essa geografia  que permite nos movermos por passos do desejo, do sonho, da presença da linguagem em ação.

O Sonhador? Ama. O bosque, por sua vez, portas abertas, recebe-o com a sua natural ternura.

Primeira semana, um a um surgem os faunos, as ninfas, fadas, poetas, músicos,  crianças que dormem com paninhos enrolados aos dedos,   tudo que é  criatura  amorosa.

Depois chegam os outros Sonhadores, ou porque o primeiro Sonhador chamou, ou porque coincidiram os caminhos. Dai para a frente, meninas passam na rua, deixam poemas na beiradinha do Bosque e saem correndo (receio que a mãe desgoste?), jardineiros trazem mudas de salsinha e mangerona,  enfermeiros acodem com seus curativos os sonhos machucados.

E faz-se o Bosque Sonhador, uma sociedade de vontades muito semelhantes, no que toca a amizade entre palavras e pessoas, entre imaginação e imaginação, entre  línguas e linguagens.

Quem vive no Bosque?

Costuma preferir este bosque pessoa que curte a graça dos mistérios e a alegria que é vê-los se vestindo de imagens poéticas, de personagens, de fábulas, de  beijos, de apertos de mão.

Sabe, as imagens poéticas, se não chegam a ser vestimentas, são o espelho mais fiel para os mistérios. Os mistérios de que somos feitos, de que a natureza é feita…  Tipo alegrias, aflições, paixões, medos,  amizade. Quer mistério mais misterioso que amizade? Impossível. Só traduzindo para imagem é que a gente pode dizer , e bem de vez em quando.

Veja bem, uma angústia, um entusiasmo, uma afição, uma ternura, nasce como uma pétala em branco, onde uma leve camada de linguagem começa a dar feição, `a flor,  até que ela pode sair e cumprimentar as pessoas, apresentar-se, toda flor, se fazer entender: olá, hoje eu sou buquê no que ontem era grão.

Ou você vai e desagua em mim, e eu oceano, como fez o Djavan.

Tudo isso, no Bosque.

O Djavan deve ser um fauno dos bons.

homem borboleta

Praticar imagem poética? Pra quê?, você se pergunta.

Olha, fazendo imagem poética, você só sai ganhando, sabia; desde deslumbres, a descobertas do ser, a humor, a estados de ânimo incomuns, além de atenuar os desejos de ir para a guerra pra  ver se conserta o mundo.

Deixa eu ver que mais tem no Bosque. Hmmm

Bem, em suma, no Bosque a gente não pratica linguagem asfaltada, é isso.

Por exemplo, hoje à tarde, encontrei-me com alguns bosqueiros, quer ver?

Afinadores de instrumentos

De vozes de gente

De vozes de riacho

Meninos plantando papel de seda e rabiola, para colher pipa semana que vem

Alguns tocadores de frigideiras, caixas de fósforo

E, sobretudo, tocadores de valsas e em taças

Regentes de frases, de períodos, de páginas, alguns de livros inteiros

Varredores da poeira que se depositam em pensamentos persistentes

Ninfas que auxiliam no parto de poemas que já andam a termo

Plantadores de semente (soube que eles existem já muito antes da especialização do paisagismo, o que nos dá uma pista clara de que o bosque nao é frequentado por especialistas, e sim por  olhos que investigam o horizonte de cada coisa)

Tradutores de sentimentos que nos parecem estrangeiros

Senhoras com ovos na mão, lembrando-lhes suas histórias familiares galináceas para que  tenham noção de seus antepassados, coisa que nós praticamente perdemos, por não ter a quem ouvir.

Orquestras de folhas de palmeiras, tipo babaçu, palma, e outras folhagens.

Manadas de pirilampos, cardumes de vagalumes super rimados

Calígrafos de águas

Descascadores de palavras

Navegadores de tabuleiros

Regurgitadores de coelhinhos

Nuvens de calças

Fotógrafos de sombras

Blogueiros e twiteiros, esses costuravam vozes, daqui e dali

Engenheiros de alegrias

E  alguns obstinados plantadores de parafusos

Tem ainda  o pessoal da equipe paramédica que ajuda  nas feridas, escoriações e cicatrizações de palavras machucadas quer por serem atiradas como pedras em muros, quer abandonadas no meio fio da frase, ou ainda em tal estado de desnutrição que  nem mesmo uma lesma consegue ler.

Erotizadores de palavras (diga-se: aqueles que reconciliam palavras brigadas para sempre)

Guardadores de risadas (tem hora que a risada se espalha de tal maneira, que chega a faltar lugar para os sonhadores se sentarem confortáveis)

Tinha mais gente, mas estavam ocupados em desencoscorar palavras e bordar pincéis nas paredes

Atividades do CiberBosque Sonhador

.Oficina de Criação Literária, online, para adultos que tenham sua criança adormecida

http://www.gato-de-mascara.com.br

esta oficina, a do Gato de Máscara do Bosque,  ela prima pelo exercício gracioso– e sine qua non ao idioma–  de desencoscorar palavras; também se caracteriza por fornecer imagens a tudo que tenta ser sentimento, mas que, via de regra, só alcança alguma  explicação. Também aqui  se exerce o ofício de rir; de ser gentil; de usar raio de sol em vez de cara feia pra sair na rua; de conversar sem guarda chuva, quer dizer,  sem medo de alguém cuspir em você pela relva; de aprender que a linguagem age por nós, `as vezes até melhor que nós, quando damos de cara com  amigos,  filhos,  namorado antigo,  dono do açougue, bilheteiro de loteria, vendedor de algodão doce, enfim, toda  agente que nos emociona. Junto a isso, você vai poder desexplicar explicações desnecessárias; vai preferir imaginar, ali onde sente um deserto de idéias; vai poder acordar seu poeta belo- adormecido; acordar os vagalumes que moram na ponta da sua língua; aprender a dar beijo de lingua gem, uuuuuma delícia. E, às vezes, escrever um poema, um conto breve, uma novela, di vertidamente.

.Escola Fáunica

Frequentam a escola fáunica garotos com pendores ao natural: pega-pega atrás de besouros, brincadeiras com gosto de hortelã e sem gosto de quiabo, polímero, giló, ou plástico;  risadas vertidas ou divertidas; gosto por árvores, animais; uma língua estrangeira, colheita; plantação; tipografia; patins; jardinagem; risada fora de hora ou dentro do relógio; curiosidade por tudo que tem às vistas, mas, sobretudo pelo que se encontra às escondidas.

Veja, não há com que se preocupar, seus filhos não estarão, aqui,  se preparando para serem metade homens metade bodes. O que pode acontecer com eles, é se desenvolverem por inteiro, isto é: naquilo que já se espera deles: cabelo penteado, educação com os mais velhos,  mas  sem que para isso tenham de abandonar seu jeito natural de ser (por essa razão natural é que se tem usado  a imagem de patas, nos faunos; o uso  é mais por retórica, por figura de linguagem, por modo de dizer,  do que por função prática dos cascos em si mesmos), isto é, o único risco que correm, é de desenvolver sua inesperada e genuína expressão.

.Escola Nínfica

As garotas que participam das classes nínficas, não vão sair borboleteando por aí, nao se preocupem. A imagem das asas que se costuma ver nas ninfas dos bosques tradicionais, é para mostrar que essas meninas serão pessoas sensíveis com o semelhante e com o diferente, que podem ser atenciosas, observadoras  e simpáticas a um grão de areia a ponto de tirar dele uma longa história, a história de um continente inteiro.

E que, mesmo andando no asfalto das avenidas, enfrentando hora de rusch em ônibus escolar e tardes de domingo nos shoppings, elas não desistem de trazer seus sonhos originais nos ombros, delicadamente,  como se fossem asas.

O que pretendemos com as nossas criancas, que inteireza, que integridade é essa que almejamos?

Que ao invés de falar e de de existir por meio de uma só língua, a linguagem asfaltada, o conhecido papo cabeça, eles vão dominar deliciosamente o papo cabeca e o papo poético, o do bosque. Serão bilíngues do pensamento. Já pensou? Isso acarreta no uso da inteligencia toda, nao somente metade do cérebro, e a utilizacão da alma aqui, nesta vida mesmo.

O  CiberBosque Sonhador tem segurança?

pirilampos do bosque

pássaro

Para que os Sonhadores não sejam interrompidos com muita frequência, à meia–noite passa, invariavelmente, uma patrulha de vagalumes, perscrutando, a cada palmo, o chão, o ar, as águas do Bosque, as brasas das fogueiras, os tabuleiros de barcos, restos de celofane laranja regurgitado por algum dragão; ver se ficou esquecido no caminho algum sorriso  de criança, algum Zelador de Sonho adormecido fora de hora, algum cardume de beijos, alguma constelação de joaninhas que costumam se reunir na casa do Fillipe.

Os raios de sol, mais rebeldes, dão um trabalho danado a esses vagalumes: costumam esconder-se sob grossos tocos de árvores, na tentativa de  furtar-se à regularíssima hora do ocaso.

Questão shakespeareana, filosófica, antropológica a ser conversada ad eternum: Algumas pessoa menos avisadas costumam desconfiar de que o Bosquesonhador sequer existe na vida real.

Fica em aberto, como toda questão bosqueana. Fica lançada aos amigos epistemobosqueólogos.

Porém, aqui pode estar abrigada a  pergunta do mês: alguém já viu algum feito, um feito considerável, tipo avião, bicicleta, roda, bala de framboesa, encontro amoroso, fogueira de São João, beijo, abraço, violino, sambinha,  sapatilha de balé, fada, Pinócchio, Pais das Maravilhas, Emília, bichinho de estimação dormindo no sofá da gente, bola de gude, circo, trapezista, prancha de surf, canoa, vara de pesca, que não tenha sido sonhado antes?

Algum Peter Pan, Dom Quixote de La Mancha, alguma Via Láctea, genoma, DNA, ou mesmo pote do arco-iris, louva-deus subindo en folha, menino no colo, hipocampo, passagem de barco,  gofinho, toalha bordada, kitesurf,  perfume de flor, que não tenha sido desejado antes?

Cadeiras para um dedo de prosa

cadeiras para um dedo de prosa

Correio do CiberBosque

Todos nós que colocamos uma carta no correio, temos o secreto desejo de perguntar a alguém: Imagina como me sinto?

Desde sentimento indefinido a desespero total

Suspeita de estar sendo amado demais

Sentimento esparramado

Fome de cuidar de amimaizinhos abandonados

Alegria incontida, tristeza de querer morrer agorinha,

Bondade não reconhecida

Saudade, extravagância com seus mais preciosos carinhos, dúvidas sobre a existência

Sede de aconchego, sensação de abandono e perda de fé na humanidade

Vontade de fazer as pazes (bonito que é pazes, esse plural, não?)

Procure nossos  faunos, ninfas, vagalumes, marujos que viajam em barcos sobre tabuleiros de xadrez, criança com paninho enrolado no dedo, enfim, gente com experiência em linguagem imaginativa.

Encontre aqui ressonância para sua experiência, solicite ao pronto atendimento poético uma imagem ou  semelhança dessa  emoção para a qual você não encontra palavras.

Quer ver só?

Vá até o Aconselhamento Poético, experimenta solicitar uma consulta.

Vá, consulte um poeta.

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